domingo, 6 de fevereiro de 2011

Resenha crítica sobre o filme "O Sétimo Selo"

A visão escatológica sempre permeou o imaginário humano. Atualmente, vivemos assombrados pelo juízo final da Terra em razão da exaustão de seus recursos naturais. Há 30 anos, muitos previam o final do mundo no período da Guerra Fria porque havia a iminência da Terceira Guerra Mundial. Foi nesse contexto de medo, pós-segunda guerra, que o Diretor Ingmar Bergman concebeu o filme O sétimo Selo em 1956. O filme consiste em uma trama não-realista que se tornou um retrato alegórico e moderno do pensamento medieval e do pensamento apocalíptico vigente.
O filme se inicia com a imagem do céu e de uma ave que voa estaticamente. Essa primeira cena e o título do filme já revelam diretamente a relação com o livro das revelações de João: “Depois olhei e vi uma águia que voava bem alto no céu. E ouvi a águia dizer com voz forte: _Ai de vocês! Ai de vocês! Ai de vocês que estiverem morando na terra quando se ouvir o som das trombetas que os outros três anjos vão tocar!” (Apocalipse 8: 13).
Então, em um movimento descendente de câmera, o cenário de uma praia rochosa se abre. Nela há dois homens descansando, o cavaleiro, Antonius Block (Max Von Sydow), e seu escudeiro, Jons (Gunnar Bjornstrand). Eles estão voltando para casa, depois de passarem dez anos guerreando na Terra Santa. Antonius acorda primeiro e após lavar seu rosto no mar, tenta fazer uma oração, mas desiste. Começa a arrumar suas coisas distraidamente até que percebe a presença de outra pessoa. Quando se vira, ele se depara com uma figura estranha, vestida de túnica preta, como um monge. Entretanto, após uma apresentação direta, aquela figura se identifica como a Morte, que havia de buscá-lo. O cavaleiro, então, sugere uma partida de xadrez como um trato, que lhe garantiria tempo para concretizar uma missão antes na terra: Antonius queria concretizar uma busca, pelo conhecimento, por um sentido na vida.
Antonius é um personagem angustiado, oprimido pelo contraponto entre a religião e o ceticismo. Centrado em si, cheio de questionamentos, ele busca exteriormente a fé, durante toda a história. Contudo, em seu interior, o vazio é um espelho que se reflete, ou seja, sua fé está completamente abalada por causa dos “quatro cavaleiros do apocalipse”, a Guerra, a Peste, a Fome e a Morte. Já seu escudeiro, o Jons, tem a convicção do ateísmo, e para ele não há nada além do físico.
A cena inicial narrada revela o teor filosófico do filme. Bergman, em seu roteiro, se prende a questões simples, existenciais e essenciais: “É tão inconcebível tentar compreender Deus? Por que ele se esconde em promessas e milagres que não vemos? Como podemos ter fé?”.
A história também se concentra em uma pobre companhia itinerária de Arte composta por três artistas, Jof (Nils Poppi), Mia (Bibi Anderson), sua mulher, e Jonas Skat (Erik Strandmark). Eles também viajam para um festival. O casal é religioso, e se configura no estigma de uma santa família feliz, que acabou de gerar um primogênito. Jof sempre tem visões espirituais, mas não consegue convencer Mia da veracidade delas. Já Skat, o diretor da Companhia, é uma figura mais profana e cômica.
No decorrer do enredo, a Companhia, Antonius e seus amigos se conhecem, e se unem para viajar juntos pela floresta em direção à casa do cavaleiro, amedrontados pela peste, e pelos radicais religiosos. Além disso, perseguidos pela Morte. Finalmente, ao conhecer a família de Jof, o cavaleiro se simpatiza com eles e também ganha a certeza de ter conhecido o sentido da vida: o prazer e a felicidade em coisas simples, como a reunião com os amigos.
Descobrindo assim o sentido da vida, ele se prepara para o final do jogo de xadrez com a Morte, não apresentando mais resistência. Graças às suas visões, Jof vê a Morte jogando xadrez com Antonius e consegue fugir, livrando sua família do final fatal de todo o grupo.



Escrito por João Francisco Walter Costa e Lara Araújo Garcia.



Os Mistérios das Pirâmides de Gizé

Cultura e Arquitetura

A civilização egípcia se desenvolveu em meio ao deserto em uma posição privilegiada: localizada ao longo do rio Nilo- que servia de fonte de alimento, água e de transporte- e geograficamente isolada de outros povos e civilizações em conflito. A vida nessa antiga civilização era regida pelos ciclos da natureza e pela espiritualidade presente na religião que estava intimamente ligada à vida cotidiana da população.
Basicamente haviam três épocas no ano bem definidas. Nos meses de junho a outubro, o rio Nilo inundava as terras às suas margens fertilizando-as e preparando-as para o cultivo que se dava durante os meses de novembro a fevereiro, quando a água do rio baixava. Durante os meses de março a maio, época da estação da seca, era tempo da colheita. Além dessa fonte indireta de alimento que o Nilo propiciava, os peixes e outros animais que ali viviam serviam de caça à população. Esse ciclo das inundações se repetia ano após ano com poucas alterações dando um ritmo a vida egípcia.
Os antigos egípcios, fossem os agricultores, artesões, nobres ou sacerdotes, tinham como principal preocupação em suas vidas a busca pela realização espiritual. Essa busca se dava pela prática da sabedoria, encarnada pela deusa Maât, que representava a retidão, a integridade, a verdade, a precisão e a justiça, a regra imutável do universo, a coerência e solidariedade. Maât representaria o leme que possibilitaria ao justo atravessar o rio da existência para alcançar as margens da eternidade, onde se encontraria com o deus Rá, a personificação do sol divino.
Segundo os escritos egípcios “A luz divina (Rá) estabeleceu o Faraó na terra dos vivos, desde sempre e para sempre, a fim de que ele julgue os homens e satisfaça aos deuses, que ele implante a retidão e aniquile a iniqüidade” (Assmann, Maât, p117). O Faraó, o governante egípcio, teria o poder de reinar sobre as Duas Terras, a espiritual e a material. Ele encarnaria todas as qualidades divinas, sendo capaz de orientar os ignorantes em direção à sabedoria e de fornecer abrigo espiritual e material aos seus súditos.


Os sacerdotes estavam logo abaixo do faraó na hierarquia social. Eles eram responsáveis tanto pela religião quanto por algumas funções de administração do Antigo Império junto ao rei. Os templos eram guardados pelos sacerdotes e estes tratavam de realizar diariamente ali as cerimônias religiosas. Estava sob suas responsabilidades guardar os segredos das ciências e dos mistérios religiosos.
A busca por uma conduta correta levando à perfeição se refletiu também na arquitetura dessa civilização. Ela aliava imponência e simplicidade com o uso de formas puras e geométricas. As fachadas das construções eram sempre voltadas para os eixos norte e sul, que representavam o caminho do rio Nilo, e para os eixos leste e oeste, que simbolizavam o caminho do sol, o nascer e o morrer. Os egípcios demonstram nas suas manifestações artísticas uma profunda religiosidade, dando um caráter monumental aos templos, às mastabas e, especialmente, às pirâmides. Os templos eram compostos por pátios colunados, salas hipóstilas e santuários. As mastabas eram túmulos em forma de tronco de pirâmide, revestidas internamente de pinturas murais. As pirâmides eram construidas de pedra e acredita-se que também serviam de construções mortuárias. A primeira mastaba, do faraó Djoser, foi construída pelo arquiteto Imhotep em Saqqarah e também é conhecida como a pirâmide escalonada. No total, cem pirâmides são conhecidas no Egito, mas as que mais se destacaram foram as de Quéops, Quéfren e Miquerinos por suas formas geométricas monumentais que beiram a perfeição e que resistiram por milhares de anos. Dos palácios e residências, como foram construidos de tijolo cru, pouco restou. Essa diferença de materiais entre construções religiosas e residenciais exemplifica a grande importância que esse povo dava a espiritualidade e à vida após a morte.


As Pirâmides do Planalto de Gizé

Acredita-se que a maior das três pirâmides de Gizé foi construída por Quéops segundo imperador da IV Dinastia, que durou aproximadamente entre os anos de 2680 a 2560 a.C, para servir-lhe de túmulo após a sua morte. O filho de Quéops, Quéfren, teria sido o construtor da segunda maior, enquanto a menor de todas foi atribuída a Miquerinos, filho de Quéfren e neto de Quéops. Apesar das diversas teorias e especulações, até hoje não se sabe ao certo como um povo tão antigo teria sido capaz de construir monumentos gigantescos com tanta precisão se utilizando de ferramentas rudimentares e tendo de transportar pedras de várias toneladas até uma altura de até 146m-altura original da pirâmide de Quéops.



Mistérios em torno da construção da Grande Pirâmide

A Grande pirâmide é a que mais se destaca nesse conjunto arquitetônico. Sua base ocupa uma área de 53.000 metros quadrados (08 campos de futebol) e foi o edifício mais alto do planeta até séc. XIX, quando a Torre Eiffel foi construída. Calcula-se que foram utilizados em sua construção entre 2,3 a 2,5 milhões de blocos de calcário e granito cada um pesando em média de 2 a 2,5 toneladas, o que não exclui o fato de alguns chegarem a pesar até 60 toneladas. Toda essa estrutura está assentada sobre uma plataforma rochosa nivelada artificialmente com erros mínimo que não chegam a 2.5cm em alguns pontos.
Curiosamente esses blocos, que constituem 203 carreiras assentadas na horizontal, em certo ponto aumentam de tamanho em relação aos inferiores (excetuando os da base) ao invés de diminuírem progressivamente, contrariando a lógica da engenharia. Além disso eles foram posicionados de modo tão preciso, que, ao final, o fechamento da pirâmide se deu exatamente sobre o centro da base.
Antigamente, as quatro faces da pirâmide eram revestidas externamente por blocos altamente polidos de pedra caliza cada um pesando aproximadamente 10 toneladas. O polimento era tão bem feito que a pirâmide chegou a ser denominada “ A Luminosa”. Depois de um terremoto na cidade do Cairo, a maioria dos blocos da fachada foram utilizados na reconstrução da cidade. Apesar disso, alguns deles permaneceram intactos e após serem analisadas por um famoso arqueólogo do séc. XIX, W.M. Flinders Petrie, ele ficou surpreso ao encontrar neles tolerâncias de um centésimo de polegada e juntas cimentadas tão precisas e tão bem alinhadas que era impossível até enfiar entre eles a lâmina de um canivete. “O simples fato de pôr essas pedras em contato exato teria exigido trabalho cuidadoso”, reconheceu, “ mas fazer isso com cimento em uma junta parece quase impossível. E é para ser comparado com o trabalho dos melhores óticos, em uma escala de hectares”.
Além disso as faces da Grande Pirâmide, norte, sul, leste e oeste estão quase perfeitamente alinhadas com os pontos cardeais verdadeiros com um erro médio de apenas 3 minutos de arco, o que representa um desvio do número verdadeiro de menos de 0, 015%. Curiosamente, se essa diferença tivesse sido maior, como de três graus do verdadeiro (um erro de aprox. 1%), eles não só haveriam poupado esforços como a olho nu a pirâmide continuaria a aparentar estar voltada para os quatro pontos cardiais.
O comprimento dos lados da base da pirâmide também seguem essa precisão com um erro de menos de 20cm entre seus lados mais curto e mais longo, erro que equivale a uma fração minúscula de 1% no comprimento médio dos lados, de 230,75m. Além disso, os ângulos da base quadrangular da pirâmide, quase chegam à 90°. O canto sudoeste com 89° 56’ 27’’; o canto noroeste com 90° 3’ 2’’; o sudoeste com 90° 0’ 33’’; e finalmente o nordeste medindo 89° 59’ 58’’. Exatidão essa difícil de se encontrar até mesmo nas construções modernas, que normalmente possuem desvios de mais de um ou dois graus do verdadeiro. Novamente, esses erros também são muito pequenos, e não afetariam a estrutura e nem seriam notados pelo olho humano.
De acordo com algumas pesquias, 10 mil a 40 mil pessoas deviam ter trabalhado nessa construção. Considerando a quantidade de blocos utilizados (cerca de 2,3 toneladas) e supondo que os pedreiros trabalhassem dez horas por dia, durante 365 dias do ano, o cálculo matemático indica que eles teriam de colocar em posição, a cada hora, 31 blocos (cerca de um bloco a cada dois minutos) para completar a pirâmide em 20 anos, que é o período de tempo que se acredita que ela foi construída. Considerando que a obra parava por três meses durante o período de pousio anual, quatro blocos por minuto teriam de ser assentados, ou seja, cerca de 240 blocos por hora, o que se tornaria uma façanha quase impossível de se realizar levando em conta o peso de cada bloco e os mecanismos que se tinha na época.





No interior da Grande Pirâmide

A entrada está na face norte, a aproximadamente 44 metros de altura do chão. O corredor de acesso é de 1 metro de largura por 1,22 de altura, com inclinação descendente com desvio quase nulo. Seguindo reto, chega-se a uma câmara subterrânea de 130,5 metros quadrados. Mas, o corredor dá acesso a outro, só que ascendente e também com dimensões claustrofóbicas, com 1,05 metros de largura e 1,20 metros de altura. Ele é o caminho para três locais distintos, um poço que volta à câmara subterrânea, um corredor reto que chega à Câmara da Rainha e um corredor ascendente que leva à Grande Galeria.





A Câmara do Rei, já demonstra a sua imponência com a grande subida de 47 metros de comprimento, por um corredor de pé direito alto, A Grande Galeria. Ela é o Sancta Sactorum da Grande Pirâmide, sobre ela, há cinco câmaras de descarga para segurar as pedras superiores na forma de um teto inclinado. É todo construído em granito vermelho, medindo 10,5 metros de comprimento e 5,82 de altura. Dentro fica o sarcófago de granito onde, supostamente, estaria a múmia de Quéops. A Câmara da Rainha tem as paredes de pedra caliza e, na realidade, não foi o túmulo da Rainha, mas, segundo os egiptólogos, local usada para guardar uma estátua Ka do rei. É interessante notar que este ambiente fica exatamente no eixo leste-oeste da construção.
Estreitos condutos, de função desconhecida, saem das câmaras do rei e da rainha. Curiosamente, um dos condutos da Câmara da Rainha aponta para Ursa Menor e outro para Sírio. Os da Câmara do Rei, apontam para Alfa Draconis, a estrela polar dos egípcios, e para a constelação de Ório. Órion está relacionada com o deus Osíris e Sírius com a deusa Ísis, deuses ligados à vida e à morte.



Função das pirâmides e a sua autoria

Antigos guias turísticos egípcios já aclamavam Quéops, Quefren e Miquerinos como os construtores das pirâmides. Heródoto, um historiador grego, no séc. V a.C. fez relatos a respeito no que se considera a descrição mais antiga dos monumentos. Nessa época já havia aproximadamente 2000 que elas tinham sido construídas. Em compensação o próprio Heródoto disse nos seus escritos: “... se há alguém a quem nessas fábulas egípcias possa acreditar, elas chegam em boa hora, pois não sou fiador do que conto, e só me propus a escrever em geral o que me relatavam...É evidente que muitas vezes os sacerdotes egípcios tinham um bom senso de humor.” Em contraposição, Diodoro de Sicília, outro historiador que visitou o Egito só que no séc. I a.C, foi relatado que os construtores da pirâmide haviam sido Armooeus, Ammosis e Inaron. Mesmo assim, a história de Heródoto foi a mais aceita, provavelmente por ser a mais antiga.
No séc. IX d.C., o califa Al-Ma'mun, governador do Cairo, conseguiu, depois de muitos esforços, abrir um túnel na pirâmide de Quéops, que desembocou justamente em um dos seus corredores. Esse era o corredor descendente e de onde se desprendeu, devido às vibrações causadas pelas ferramentas utilizadas na escavação, uma das pedras do seu teto revelando a abertura para o corredor ascendente da pirâmide. Apesar disso, não foi possível o acesso a esse corredor porque havia uma série de cunhas de granito maciço impedindo a passagem e que aparentemente estavam lá desde a construção da pirâmide. Os pedreiros do califa não conseguiram quebrar ou abrir passagem através delas e como solução eles cavaram um túnel nas pedras de calcário em volta de modo a contornar esse obstáculo e chegar novamente ao corredor. O que Al-Ma'mun não sabia, era que, mais abaixo no corredor descendente havia uma passagem secreta que também se ligava ao corredor ascendente da pirâmide, mas que permaneceu desconhecida até o séc. XIX.
Esperando encontrar muitos tesouros e inclusive um repositório de sabedoria e tecnologia antigas lá dentro, o califa teve uma grande decepção. As duas câmaras encontradas, mais tarde denominadas Câmara da Rainha e Câmara do Rei, estavam completamente vazias, a não ser por um sarcófago de granito vermelho e sem tampa, também vazio, no aposento do rei. Além disso, não havia qualquer tipo de decoração ou hieróglifos no interior da pirâmide.



Câmara do Rei

Muitos egiptólogos acreditam que bem antes dessa invasão, aproximadamente quinhentos anos depois de sua construção, os ladrões de tumba já deveriam tê-la saqueado. Muitos questionam a afirmação já que, das passagens para o corredor ascendente que leva à Camara do Rei, uma aparentemente estava bloqueada desde a construção e a outra, mesmo que não o estivesse, além de constituir em um túnel quase vertical, parecia muito estreita (90 cm) para poder ter servido de passagem para todos os grandes tesouros do rei.
Não só a pirâmide de Quéops, mas as outras duas também não possuem decorações ou inscrições em seus corredores e câmaras, assim como nenhuma múmia foi encontrada em seus austeros sarcófagos. A câmara funerária da pirâmide de Quéfren, por exemplo, foi encontrada vazia, assim como seu sarcófago em 1818, quando o explorador europeu Giovanni Belzoni a abriu. Na pirâmide, de Miquerinos, contudo, foram encontrados alguns ossos na chamada câmara mortuária, mas que, após análise, foi comprovado que datavam de dois mil anos depois da construção das pirâmides. Provavelmente alguém havia se aproveitando daquele espaço para utilizá-lo como túmulo de outra pessoa. Apesar disso, os outros túmulos encontrados de monarcas egípcios eram ricamente decorados. Havia desenhos e hieróglifos contando sobre a vida do governante e inscrições de encantamentos destinados a ajudar o morto na sua jornada para a vida eterna. E é de certa forma estranho que a pirâmide não tenha nenhuma inscrição, pois no decorrer dos milênios poucas mudanças ocorreram na cultura, religião e arte dessa civilização que seguia um estilo de vida muito disciplinado e regrado.
Além dos relatos de Heródoto, um fator que contribuiu a conclusão de que a grande pirâmide havia sido construída Quéops foi a descoberta em 1837 do coronel Howard Vyse. Acima da Câmara do rei ele encontrou quatro câmaras, as câmaras de descarga, que se acredita hoje que serviam para aliviar o peso das pedras sobre o aposento. Nas suas paredes e teto havia hieróglifos com o nome de Quéops (Khufu em egípcio) que pareciam atribuir a construção do monumento à ele. A egiptologia acadêmica logo aceitou as evidências como verdadeiras, mesmo assim, algumas dúvidas sobre a veracidade desse achado ficaram no ar. Muitos hieróglifos foram escritos de cabeça para baixo, alguns eram irreconhecíveis ou tinham sido escritos de forma errada ou com desprezo pelo uso da gramática. Além disso, era estranho que só estivessem naquelas quatro câmaras dentre as cinco (a primeira havia sido descoberta setenta anos antes), o que fez com que muitos questionassem se por acaso esses hieróglifos não haviam sido escritos pelo próprio coronel.
Em contraposição, ainda no séc. XIX, o arqueólogo francês Auguste Mariette descobriu a chamada Estela do Inventário. Nela estava escrito claramente que a Esfinge e a Grande Pirâmide já existiam muito tempo antes de Quéops subir ao trono e também se referia à deusa Ísis como a “Senhora da Pirâmide”, implicando que o monumento havia sido dedicado à ela a não à Quéops. Além disso, sugeria que Quéops, na realidade, havia sido o construtor de umas das três estruturas subsidiárias situadas ao longo do flanco leste da pirâmide. Os egiptólogos pouca importância deram á escritura por ela datar de um século bem posterior a construção das pirâmides (664 a 525 a.C.), dizendo que provavelmente deveria ser falsa. Mesmo assim existe a possibilidade dela ser, na realidade, a cópia de um documento mais velho.


Aspectos interessantes e conclusão

É difícil entender e abranger todos os aspectos da civilização egípcia, isso porque, eles não só levantaram complexos monumentos, como a vida deles era regida por uma espiritualidade profunda e muitas vezes não compreendida pela nossa atual civilização. Sua cultura não se limitava apenas aos acontecimentos diários e a vida terrena, mas tinha fortes ligações com o sobrenatural.
A religião egípcia fazia muitas alusões astrológicas e astronômicas. Assim, não são estranhas as relações das Pirâmides de Gizé com o mundo celeste. Em 1994, o engenheiro anglo egípcio Robert Bauval observou que as três pirâmides seguem o mesmo alinhamento das três estrelas da constelação de Órion, o que indica que teriam sido construídas não em épocas distintas, mas no mesmo período. Robert ainda constatou que o traçado das pirâmides teria sido o reflexo perfeito do Cinturão no ano 10.450 a.C. É interessante notar que uma das crenças religiosas egípcia era de que o destino do faraó estava relacionado com as estrelas. Para alcançar o Amenti, equivalente ao paraíso cristão, a alma do faraó deveria passar pelo Cinturão de Osíris, deus equivalente à Órion.


Outro aspecto interessante foi a descoberta do inglês John Taylor. Ele percebeu que o perímetro da pirâmide dividido pelo dobro da sua altura resultava no valor , número que se atribui a descoberta apenas no século VI pelo indu Arya Bhata.
Devido a essas e outras decobertas sobre as pirâmides, muitos associam a suas construções a tempos muito mais remotos e acreditam que não tinham a função de câmara mortuária, mas sim serviam para algum própósito religioso e iniciático no Antigo Egito.
De qualquer forma, fica claro que essa civilização tinha um profundo conhecimento matemático e astronômico. Com uma preocupação em refletir nas construções toda a beleza e perfeição do cálculo e do céu. De um modo ou de outro, Gizé continua sendo um lugar que reflete a grandiosidade de uma civilização que esteve em seu auge de desenvolvimento. Civilização essa onde, em contraposição com os dias atuais, a vida espiritual se sobrepunha à material.

Escrito por Thamires Chacara e Gabriela Emi.

Bibliografia

HANCOCK, Graham. As Digitais dos Deuses. Rio de Janeiro: Record,1999

JACQ, Christian. A Sabedoria Viva do Antigo Egito. Rio de Janeiro: Bertrand, 1999

ROTH, Leland M. Entender la arquitectura, sus elementos, historia y significado. Barcelona: Editorial Gustavo Gili,SA, 1999

Revista Esfinge, n°14. Belo Horizonte: Editorial N.A.

http://www.fascinioegito.sh06.com/esfingeold3.htm

O Mito: Arte e Teatro na Grécia Antiga

O MITO PRIMITIVO: EXPLICAÇÃO DO MUNDO

Assim fizeram os deuses, assim fazem os homens.

Funções do Mito: embora o mito também seja uma forma de compreensão da realidade, sua função é, primordialmente, acomodar e tranquilizar um ser humano em um mundo assustador. Entre as comunidades primitivas como a Grécia Antiga, o mito se constituiu um discurso de tal força que se estendia por todas as dependências da realidade vivida; não se restringia apenas ao âmbito do sagrado (ou seja, da relação entre a pessoa e o divino), mas permeava todos os campos da atividade humana.

Após a melhor acomodação dos gregos no espaço, a ampliação das cidades e a consolidação das instituições, um pouco antes de 500 a. C., foi ocorrendo uma transformação no ideário do povo grego. É a época em que o povo das cidades gregas começou a contestar as antigas tradições e lendas sobre os deuses, e a investigar sem preconceitos a natureza das coisas, é o período no qual se desenvolve o Teatro a partir das cerimônias em honra a Dioniso, deus do vinho, da vegetação, do êxtase e das metamorfoses.
Outra grande revolução da arte grega, a descoberta de formas naturais e do escorço. Certamente o Teatro contribuiu para dar certo dinamismo às obras pictóricas, esculturas e cerâmicas. Pode-se afirmar que o próprio Teatro com suas máscaras caricaturais e tremendamente expressivas serviu como libertação de parte do perfeccionismo do ideário grego da estética em suas representações, principalmente as peças de Comédia . Alguns artistas passaram a trazer para suas obras cenas das peças.






Fig: Vaso com cena de Comédia http://www.google.com/imghp/vasocomedia





Fig: Máscara para Comédia (fonte: http://www.google.com/imghp/mascaracomica )



SURGIMENTO DO TEATRO: A RELAÇÃO COM O DEUS DIONISO

O Teatro grego é um cenário religioso. Desde os primeiros séculos fazem parte do culto a Dioniso cantos de coral, danças de exaltação e procissões de máscaras. Da unificação do culto e do jogo resultam as duas formas de drama: tragédia e comédia. São principalmente obras de poetas áticos (região onde primeiramente se situou a antiga cidade de Atenas). Entre os séculos VI e V a. C., as encenações ganham mais importância e popularidade ao ponto de serem realizados festivais em homenagem a Dioniso com competições e premiações.
O Teatro subdivide-se em três partes: tragédia, comédia antiga e comédia nova. A tragédia e a comédia separavam logo de começo o tipo das duas máscaras, a face severa e a face risonha, figurando assim o duplo aspecto contrastante da vida. Dioniso conhecido também como deus-máscara, em suas representações se vê a importância que se atribuía ao olhar rígido. Dioniso é, quase sempre, representado de frente, entre outras máscaras de perfil, como se o seu olhar tivesse o poder de levar os homens para outra dimensão, que não a do quotidiano. Máscaras como alongamento do corpo do ator e como amplificador de suas vozes.
A identidade dos atores era preservada pelo uso das máscaras. Estas desempenhavam um papel fundamental nas representações cênicas, pois através delas era feita a maior parte da caracterização dos personagens: a idade, o sexo, a importância social e o estado espiritual. As expressões eram bastante trabalhadas para que não houvesse dúvidas em relação às emoções que representavam. Além disso, as máscaras eram muitas, pois os atores trocavam-nas diversas vezes durante as apresentações.





Fig: Máscara de Comédia (fonte: http://www.google.com/imghp/mascaracomica )





Fig: Reconstituição da Tragédia Grega
(fonte: http://www.google.com/imghp/atoresemascaras )


Aristóteles foi um dos primeiros a estudar o impacto dos espetáculos teatrais. Abaixo está definição de tragédia:
[...] uma representação imitadora de uma ação séria, concreta, de certa grandeza, representada, e não narrada, por atores em linguagem elegante, empregando um estilo diferente para cada uma das partes, e que, por meio da compaixão e do horror provoca o desencadeamento liberador de tais afetos.
Uma das principais características da tragédia é a catarse que provoca no público a partir de histórias tristes e violentas de amor e de guerra que quase sempre recontavam os mitos sobre deuses relacionando-os à vida do povo. As tragédias discorrem sobre o destino e a influência dos deuses nos acontecimentos cotidianos. O herói trágico é, geralmente, uma figura radiante e envolta por glória que, repentinamente, vê-se vítima de uma alteração brusca do destino que a conduz à desgraça. Um exemplo muito claro é a história de Édipo, que serviu de base para o Teatro. Édipo nasce com o destino de matar o pai e de casar-se com a própria mãe e por mais que tente se desviar disso. Sendo assim, a catarse é a purgação das emoções dos espectadores, que se sensibilizam, sentindo uma profunda compaixão pelo infausto que o destino reservara ao herói; uma espécie de exorcismo coletivo.
A tragédia era escrita em cinco atos e tinha uma forte ligação com a música. O coro manifestava a voz do bom senso, da harmonia e da moderação exaltando os protagonistas. A importância do coro e sua relação com o Teatro podem ser verificadas na passagem seguinte:
[...] diálogo e coro alternavam-se na tragédia grega, pois, da seguinte maneira: iniciava-se a representação com o Prólogo, uma introdução encarregada de dar as explicações necessárias para o entendimento da peça dramática, apresentando ao público a lenda cujos elementos precisavam ser conhecidos ou relembrados. A seguir, no Párodo, o Coro entrava cantando (para-odós: ao longo do caminho, enquanto caminha). Daí por diante, alternavam-se Coro e Diálogo em Estásimos (atuações do Coro) e Episódios, que o Teatro moderno chamaria de “Atos”. O último Episódio leva o nome especial de Êxodo e, não raro, terminava com um canto coral, denominado Kommos, em que se uniam cantores e atores. (LIMA, 1996: p. 105).


Assim como a tragédia nasceu do ritual e das danças referentes aos mistérios do sofrimento, assim a comédia se engendrou nos ritos relativos aos mistérios da fertilidade e da procriação. Da mesma forma como na tragédia, está associada a Dioniso. Apesar disso, era considerado um gênero teatral e literário menor. Seus temas giravam em torno dos homens comuns e de fatos cotidianos envolvendo política, que são tratados como objeto de crítica e sátira. O júri que apreciava e escolhia as comédias vencedoras dos prêmios era escolhido entre as pessoas da platéia, enquanto, na tragédia, o mesmo era composto de nobres.
Havia duas partes e um intervalo na comédia. A primeira é chamada de “ágon” e apresentava um duelo verbal entre o protagonista e o coro. Uma conclusão da primeira parte era definida a partir de um diálogo entre o coro e o público. Após o intervalo, era apresentada a segunda parte, na qual eram resolvidos os problemas apresentados no início da peça.
A comédia antiga teve uma forte ligação com a democracia por fazer alusões jocosas aos mortos, satirizar personalidades vivas e até mesmo os Deuses. Por isso, seu fim ocorreu com a rendição de Atenas durante a Guerra do Peloponeso, em 404 a.C.

A comédia nova foi a última fase da dramaturgia grega. Iniciou-se no fim do século 4 a.C. e durou até o início do século 3 a.C., exercendo forte influência sobre autores romanos como Plauto e Terêncio. Ao contrário da comédia antiga, este gênero deixa de lado as sátiras violentas à política, colocando em foco temático as relações humanas. Entre os objetos de sua temática, enquadram-se aventuras galantes, conflitos de interesse e ocorrências imprevistas, enquanto que seus personagens podem ser definidos pelo padrão de virtude ou vício que os caracterizava, tais quais velhos avarentos, mães complacentes, cortesãs ambiciosas e soldados fanfarrões. O coro já não é um elemento atuante e restringe-se a fazer coreografias nas pausas entre ações.

A ida ao teatro era, para os gregos, um dos grandes acontecimentos do ano. As apresentações começavam logo após o nascer do sol e aconteciam durante dez dias, sendo cada peça representada somente uma vez. Consequentemente, os teatros deveriam ser grandes para suportar a quantidade de pessoas que o freqüentavam.
Sempre construído em forma circular, o teatro grego compunha-se de três partes: a orquestra, o proscênio e o auditório. A orquestra era um espaço circular em frente à plateia, destinado ao chefe de coro, o koriaphaios. Neste local, ele explicaria ao público o que iriam assistir. A palavra proscênio quer dizer “em frente à cena”. Esta é a parte ornamentada do teatro, onde os cenários alternavam-se e ocorriam as encenações dos atores, os hypocrates. O auditório, chamado de Kolia, tinha forma semicircular envolvendo a orquestra e o proscênio. Havia um espaço reservado às autoridades, aos convidados mais eminentes e ao sumo sacerdote de Dionísio, localizado no espaço mais próximo de onde ocorreria o espetáculo, chamado proendria.





Fig: Divisão espacial do teatro (fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-teatro/imagens/teatro-26.jpg)


Os poetas utilizavam-se de alguns recursos mecânicos para a obtenção dos variados efeitos dramáticos pretendidos na encenação. Um desses recursos era o aeorema, utilizado na simulação da descida de um deus até o cenário, o que simbolizava a chegada da justiça. Também havia o periactoi, pilares utilizados para mudar o fundo de cena por meio do giro ao redor de um eixo. Um terceiro recurso era utilizado para esconder a representação da morte ou suicídio dos personagens: uma plataforma suspensa chamada ekeclema.





Fig: Aeorema
(fonte: http://users.sch.gr/spapand/.html )





Fig: Periactoi
(fonte: http://users.sch.gr/spapand/.html )





Fig: Ekeclema
(fonte: http://users.sch.gr/spapand/.html )





Fig: Ekeclema (fonte: http://users.sch.gr/spapand/.html )



CONCLUSÃO

Os rituais dionisíacos absorveram em seu seio os vários ritos da antiguidade imemorial que se celebravam nas ocasiões transcendentais e solenes da vida humana. O deus do extravasamento e da expressão no impulso criador parecia significar o despertar o desejo artístico, e o canto e a dança que o celebravam proporcionaram meios perduráveis que preservariam para a posteridade os pensamentos e sentimentos do povo grego a respeito dos problemas fundamentais da nossa espécie.
Assim como o mito e a ciência são modos de organização da experiência humana – o primeiro baseado predominantemente na emoção e o segundo na razão –, também a arte vai aparecer no mundo humano como forma de organização, como modo de transformar a experiência vivida em objeto de conhecimento, desta vez por meio do sentimento. E a arte é um caso privilegiado de entendimento intuitivo do mundo, tanto para o artista quanto para o apreciador que se entrega a elas para pensar-lhes o sentido.


Escrito por Lara Milhome Romão e Jéssica Silva Marinho



REFERÊNCIAS

GOMBRICH, Ernst. A História da Arte. 16. ed. Tradução de Alvaro Cabral. Rio de Janeiro: Ed. LTC, 1999.
BOWRA, C. Maurice. La Literatura Griega. 6. ed. México: Fondo de Cultura Económica, 1964.

LITERATURA GREGA

http://www.brasilescola.com/literatura/literatura-grega.htm
http://www.cursogrego.com/ptgreek/literature.asp
http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0006
http://crismara.blogspot.com/

MITOLOGIA GREGA

http://www.brasilescola.com/artes/a-arte-grega.htm
http://www.suapesquisa.com/grecia/arte_grega.htm
http://www.pitoresco.com.br/art_data/index.htm
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=43
http://www.historiadomundo.com.br/grega/arte-grega.htm
http://lucy.blogs.sapo.pt/7377.html (ÉDIPO)
http://www.historiadaarte.com.br/artegrega.html

TEATRO GREGO

http://educacao.uol.com.br/artes/ult1684u12.jhtm
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http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-teatro/teatro-grego.php
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http://www.scribd.com/doc/7083897/Aristofanes-A-RevoluCAo-Das-Mulheres (Comédia antiga "A Revolução da Mulheres - Aristófanes)

http://www.scribd.com/doc/7252195/O-Misantropo-de-Menandro (Comédia nova "O misantropo" - Menandro)
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cultura e processo urbanístico

O NASCIMENTO DA CIDADE

Será possível compreender a cultura de um povo a partir da configuração espacial criada por este. Para se fazer esta análise, é necessário observar as primeiras tentativas urbanísticas do ser humano.
Os primeiros conglomerados urbanos são um fato histórico, geográfico e, acima de tudo, social. Há apenas 10.000 anos, quando os homens e mulheres, tendo descoberto a agricultura e a economia doméstica, puderam deixar de vagar pelo planeta à procura de comida e abrigo. Até então, haviam vivido expostos aos rigores do tempo, precariamente protegidos por tendas feitas com peles de animais. Sempre em movimento, cozinhavam em fogueiras de acampamento e reuniam-se em pequenas tribos.
Tudo isso mudou quando as pessoas tornaram-se sedentárias. As tendas foram substituídas por moradias mais sólidas e uma lareira fixa passou a ocupar o lugar central da casa. Um grande número de cabanas brotou em regiões férteis e de proximidade a rios; o contato entre as famílias tornou-se mais frequente e íntimo; surgiram vilarejos, os quais passaram a ser ligados por uma rede de trilhas.
Esses primeiros conglomerados foram expandindo-se em ocupação territorial bem como nas atividades comerciais. Avanços tecnológicos foram alcançados, o ser humano pode perceber melhor a natureza e dominá-la. Previsivelmente, daí um tempo, ocorreu uma diversificação e divisão de atividades desenvolvidas nas tribos. As especializações profissionais, como sacerdotes, soldados e artesãos, seriam, para alguns historiadores, uma das principais hipóteses para o surgimento das cidades. Com efeito, novas estruturas arquitetônicas tiveram de ser pensadas para abrigar as novas necessidades.



AS MESQUITAS E OS TEMPLOS EGÍPCIOS

É curiosa a semelhança entre as mesquitas e os templos egípcios, ainda que as primeiras recebam grande influência da arte bizantina e trabalhem com elementos de composição arquitetônica diferenciados devido aos avanços construtivos ao longo do tempo. Apesar de que uma das características das mesquitas sejam as cúpulas, podemos encontrar alguns resquícios da arquitetura dos templos egípcios, como elementos que destacam as entradas, uma variação dos pilões que geralmente marcavam a entrada dos santuários.

Fig: templo egípcio (fonte: http://snap3.uas.mx/RECURSO1/Diapositivas/Egipto )

Outra semelhança é a ortogonalidade presente no eixo de organização das mesquitas que se pode observar no esquema abaixo. Além disso, existia uma área central, de maior importância nos santuários do antigo Egito, a chamada sala hipóstila, que pode ser comparada ao pátio interno no esquema abaixo. Geralmente, a sala hipóstila possuía o pé direito mais alto para dar um ar mais imponente e enfatizar o eixo principal, sendo a parte mais iluminada da edificação devido à presença dos clerestórios.

Fig: sala hipóstila de Karnak (fonte: http://snap3.uas.mx/RECURSO1/Diapositivas/Egipto )

O que se encontra nos pátios internos das mesquitas são as várias colunas que contornam sua extensão, como acontecia em toda a sala hipóstila dos santuários, uma vez que os vãos eram maiores. A ausência de cobertura, por ser um pátio interno, também se assemelha ao propósito de destaque que os egípcios davam ao ambiente com o aumento do pé direito. Quanto à sua importância, pode-se dizer que o pátio é, sim, imprescindível, pois é nele que ocorre o ritual de purificação.


Fig: esquema de uma mesquita (fonte:http://denisebomfim.blogspot.com/2010/08/arquitetura-de-uma-mesquita.html )



Fig: planta do templo de Amón-Ra em Karnak (fonte: http://www.artehistoria.jcyl.es/arte/obras/7425.htm )

PALÁCIO DE TOPKAPI EM ISTAMBUL: TRAÇOS DA MESOPOTÂMIA

Os antigos palácios de Istambul são exemplos da influência política na arquitetura, pois eram grandiosos e belos, cheios de ornamentos, mostrando a importância e a riqueza de seus sultões. O palácio de Topkapi é rodeado por três milhas de muralhas, remontando aos muros de segurança das cidades mais antigas da Mesopotâmia, como Jericó (7500 a.C., dita a cidade mais antiga). Assim como nas mesquitas, também possui pátios internos, presentes na arquitetura minóica, mas a semelhança mais forte é com a organização de espaços da arquitetura da Mesopotâmia, que já demonstrava certa segregação social. A planta geral do palácio era dividida em duas partes: Enderum, onde viviam os sultões e as demais pessoas com um status social mais elevado, membros de sua dinastia; e Birum, moradia dos empregados que executavam trabalhos governamentais.


Fig: planta do palácio de Topkapi (fonte: http://ionevet.hd1.com.br/turquia.html )


Os eixos de organização espacial não são tão ortogonais como na civilização egípcia e não partem de um único eixo principal, mas apesar de não serem tão orgânicos e ramificados como na arquitetura da Mesopotâmia, possibilitam diferentes caminhos para ir a um mesmo local, sendo uma mistura das duas formas de organização.



SEMELHANÇAS ENTRE CIVILIZAÇÕES DISTANTES

A semelhança mais incrível que podemos citar é a existente entre Egito e a civilização maia em geral. Escolhemos uma cidade para demonstrar de modo mais preciso, Copán, situada no oeste de Honduras, às margens do rio Copán, próximo à fronteira com a Guatemala. Assim como no Egito, o urbanismo desta cidade desenvolve-se a partir de eixos, ao redor de praças imensas e majestosas, existindo também bairros periféricos. Os templos e praças tinham grande destaque e era nesses locais onde a vida cultural e religiosa da cidade concentrava-se.

Fig: planta da cidade de Copán (fonte: http://www.mondolatino.eu/viajes/adondeir/Guatemala.php )


A arquitetura de Copán é rica em templos e pirâmides, e assim como os egípcios, faziam estátuas de deuses e sacerdotes, além de fazerem inscrições em hieroglifos. O templo em forma de pirâmide escalonada lembra as mastabas egípcias, sendo muito parecido com a primeira pirâmide, construída pelo arquiteto Imhotep para o faraó Zozer, empilhando mastabas.

Fig: Templo em Copán (fonte: http://www.mondolatino.eu/viajes/adondeir/Guatemala.php )


Fig: Pirâmide escalonada egípcia (fonte: http://www.descobriregipto.com/sakkara.html )



CONCLUSÃO

Feitas estas análises, podemos concluir que a organização espacial reflete muitos aspectos culturais de uma civilização e de sua história. A partir do momento que o homem deixa de ser nômade e passa a buscar abrigos mais duradouros, surgem novas necessidades, como a de desenvolver novas técnicas construtivas que possam sanar a necessidade de moradia, da prática de ritos, entre outros. Tais necessidades variam entre as civilizações, e é a partir dessas variações que conseguimos perceber o elo entre a cultura e a organização espacial.
Alguns povos sentem uma necessidade maior de proteção e constroem muros ao redor de seus povoados e cidades, como ocorre na Mesopotâmia, onde, para reforçar a segurança, ainda são colocadas ameias nos muros maciços. No povo sumério, por exemplo, é notável a influência religiosa que estabelece como religião o socialismo teocrático; o estado era governado por um sacerdote e havia junção de recursos públicos e construções de obras para a comunidade. Foi por causa de sua forte crença na existência de uma nova vida após a morte que os faraós egípcios providenciavam a construção das monumentais pirâmides, onde viveriam eternamente após a realização de uma série de rituais funerários.
Há diversos outros aspectos a serem abordados e milhares de outros povos e civilizações a serem estudados. Este texto apenas objetivou ilustrar com alguns exemplos o quão o urbanismo e a arquitetura de um povo estão entrelaçados a seu contexto histórico e, principalmente, a sua cultura.




Escrito por Lara Milhome Romão e Jéssica Silva Marinho.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

•ELS MAIES. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•MESOPOTÂMIA - SOCIEDADE E CULTURA. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•A CULTURA EGÍPCIA. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•ANÁLISIS HISTÓRICO SIMPLE SOBRE PUEBLOS PRECOLOMBINOS. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•ISTAMBUL. Disponível em: Acesso em novembro 2010.

•ARQUITETURA ISLÂMICA. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•CULTURA DO MÉXICO. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•COPÁN, HONDURAS E A CULTURA MAIA. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•COPÁN. Disponível em Acesso em novembro de 2010.

•MAIS UM POUCO SOBRE A EGÉIA. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•AS PRIMEIRAS MORADIAS. Disponível em: Acesso em novembro de 2010.

•GOMBRICH, Ernst. A História da Arte. 16. ed. Tradução de Alvaro Cabral. Rio de Janeiro: Ed. LTC, 1999.

•FORRAT, Juan Cano. Introducción a la historia del urbanismo. Valencia: Ed. Universidad Politécnica, 2003.